No fim da tarde, Natacha, quando lhe era permitido largar as suas
tarefas, que desempenhava num pequeno bar restaurante ,dava sempre um
pequeno passeio, botando o olho nas montras das lojas circundantes,
porém a que mais gostava e lhe despertava mais a atenção eram os
cartazes expostos por uma agência de viagens. Aí ficava a ler todos os
cartazes que anunciavam maravilhosas viagens pelos locais mais exóticos e
paradisíacos da terra. Rondava os vinte e tal anos, loura, de uns
olhos azuis, de uma beleza extraordinária. Emigrante do leste da Europa,
conseguiu um dia, com outra sua amiga,romper com o imobilismo e pacatez
da sua terra, dando asas ao sonho que acalentava há muito – ir ao
encontro de outras paragens, conhecer o mundo. Em boleias e aventuras
mil, conseguiu chegar até ao sul de Espanha, numa pequena localidade
balnear a despontar para o turismo onde, nessas praias quentes do Mediterrâneo ia granjeando o seu sustento em empregos de carácter
provisório, nos bare…