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A mostrar mensagens com a etiqueta Malu Silva

FIM DE TARDE...

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Observo a tarde que vai bela e desvanece à minha frente, pelas frestas da janela.
Bailam em meus olhos tímidas pinceladas... tons pálidos talvez, pois não sei se são meus olhos que olham brilhantes e atentos à noite que cai ou se é o próprio entardecer que me olha.
Ah! Estes instantes entre a tarde e o anoitecer - magia que corre alheia ao vai-e-vem de todo o resto do dia.
Nestas horas divago no vago, invadida de deslumbramento, num desalento de estra-se só, acomodada entre as companhias.
Neste momento sou absolutamente solitária - solidária aos pássaros que entoam o romper do pôr-do-sol.
Malu Silva

SOMOS...

Imagem Google Somos... Da mesma espécie. Da mesma criação. Somos, Todas iguais, Amigas... irmãs... amantes... Somos, Nós, mulheres, Angústia e dor. Somos, Amadas e odiadas, Rejeitadas, Felizes e ternas. Somos, Etéreas... Somos, Eternas... Cúmplices e culpadas... Mas, Somos!
Malu Silva

VELEIRO...

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Vou viajar... Velejar entre os mares, Colocar os pés nos portos, Cheirar os peixes, Beijar as gaivotas. Direi adeus às lembranças, Mas serei feliz.
Vou viajar... Fazer grandes malas. Voarei pelas janelas da sala Pra conseguir pousar nos cais.
Vou viajar... Brincar de fada, Subir na montanha encantada E, no vulcão, mergulharei minhas mãos.
Vou viajar... Pelo sideral, Pelo infinito, Em sonhos astrais... E, na minha viagem, Deixarei cair meu ser carente Sobre teu ser, Nessa viagem Que hei de fazer...
Malu Silva

ENTRE AS PAREDES DO TEU MUNDO...

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Não sabia o que iria encontrar, mas mesmo assim fui adentrando pelo espaço desconhecido que me seduzia. Passos indecisos... imprecisos... coração passeando pela boca e os pés flutuando em espumas ardentes. A cabeça rodava, como um carrossel, fora de controle a cada milímetro conquistado. Medo e desejo, lado a lado em audaciosa descoberta. Sem querer transpus-me aos cenários dos teus sentimentos, tão reais e, ao mesmo tempo, profundamente fictícios que pude sentir os aromas, ouvir a música e, por fim, encantar-me com teus jardins, suspensos entre as Babilônias que se construiram em mim. Transcendi o universo material... ultrapassei a barreira do som. Voltar já é impossível, pois entre as paredes do teu mundo fiquei perdida e, todos os dias, tateio com mãos plasmáticas a porta de saída que não mais existe.
Malu Silva

À DERIVA...

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É tudo! O sexo sem nexo... O abismo entre o no sense e o complexo... Segura-me as mãos, um anjo de asas postiças que de anjo nada tem, pois é andarilho de Hades, jardineiro hábil que semeia miosótis pelos meus jardins, regando as cavas profundas do meu corpo, esculpindo meus sonhos em rosas-marfim. É tudo! Suposto... Oposto... O rosto... O gosto sem gosto... Água pura de insípida geleira derretida. É a vida! Insana... Profana... Sem vestes... Nua... Crua... É tudo! Meus passos soltos na rua e minha sensação de tocar o infinito... Liberdade desembestada em noite fria. É a própria agonia. Vazio. Meus pés na beira do rio. Verborragia estancada no profundo silêncio. É tudo! Um carrilhão de desejos desgovernados arrancando-me as estradas.

É o NADA! Tudo aquilo que me percorre o vasto campo das solidões.

Por fim, minha mente adormece à deriva. Algumas lágrimas lavam-me as retinas,  na manhã que desponta azul.
Malu Silva

ÁGUAS DA PRIMAVERA...

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Depois de anos, as cigarras saem do fundo da terra e cantam a melodia que, com a morte, se encerra. Explodem em canções quentes que voam pelo ar em fios transcendentes... As asas soltas, libertas da vida contida, O som guardado em caixinhas de veludo, revestidas. E, a formiga, sua amiga, para a escutar o concerto efêmero. Entre a seiva das árvores tecem a consonância do Universo. Formigas cortam folhas e roubam sementes de outras lavouras... Cigarras voam... e cantando inundam de luz o silêncio. A sinfonia da Vida é ouvida por aqueles que mergulham no imperceptível, No invisível horizonte perdido à frente E que, por um momento, afundam nas águas transparentes da Primavera.

Malu Silva

ANOITECIA...

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Anoitecia... E dentro de mim corria a poesia Fria, sem métrica... Mas, mesmo assim, acariciava o meu ser. Anoitecia... E, na escuridão do céu, Chuva de estrelas caía Feito véu, feito magia. Anoitecia... Na leveza dos sonhos, Na escuridão dos desejos, Na esperança pequena Que, por fim, existia. Anoitecia... Porque havia de anoitecer Depois que a tarde se foi, Depois que findou o dia. Anoitecia... E, como num ritual, A poetisa nascia, Pra fazer versos, Enquanto todos dormiam. Anoitecia... E, nos meus poemas tudo podia, Porque, como guardiã Velava todos os sonhos, Pois dentro deles, tudo acontecia.
Malu Silva

Ao Som Do Blues...

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Canto para você Com a alma dos que realmente sentem A chuva fina... a solidão. Canto para você Com a voz que embala seu corpo E toca seu coração. Canto para você Porque preciso cantar... Canto para você Como forma de lhe amar. Canto para você A canção esquecida A melodia perdida Canto em desafino Pelas esquinas da vida, Pelos becos sem saídas, Pelas ruas escuras, " Nos bares, nos lugares por onde vou..." Canto para você Porque conhece minha voz E, basta que abra minha boca Para que venha ao encontro do meu cantar. Assim, pelas esquinas da vida, Pelos becos sem saídas, Pelas ruas escuras, " Nos bares, nos lugares por onde vou..." Amamo-nos, De mãos dadas, Emaranhados no blues, Que canto para você, Quando me abriga em seu peito.
Malu Silva

Borboletas de Cristal...

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Céu de outono, azul bem claro. Sol ameno, raios límpidos. Campo aberto, cheio de flores. Um grande rio a correr sem fim... Pedras soltas, pérolas artificiais. Paisagem perfeita, dentro dos olhos cansados que avistam, ao longe, pequenas borboletas, refratando as cores suaves de toda essa mágica e solar natureza.
Malu Silva