| Foto Hélder Gonçalves |
A noite avançou... E a madrugada chegou mansamente, lá
estava ela, macia, cheirosa dentro dos lençois.
O braço do marido
envolvendo-a protector. E ela feliz aspirava-lhe os cheiros familiares
Cada cheiro contava-lhe pedacinhos de suas vidas à
beira um do outro.
Ergueu a cabeça, olhou-o nos olhos, e Ele sorriu-lhe
peguntando baixinho se Ela estava bem disposta.
Silenciosa sacudiu a cabeça n'um sim e ele contente,
passeou a mão ternamente ao longo do seu corpo.
Ela buscou-lhe a boca molhada e deixou-se mergulhar
naquele mundo cor de rosa de puro amor.
A boca Dele era um sonho aberto, despido de pecados,
de confusões.
Lá dentro daquela doçura ela percorria caminhos
de beleza.
Alí não sentia frio, fome, sede ou medo. Alí dentro
daquela textura rica de sabores,ela movia-se leve,tal qual bailarina na melhor
fase.
Bailava para qualquer lado que lhe apetecia.
Gemeu baixinho, quando a sua língua enroscou-se na
dele n'um encontro doublé perfeito.
Como o amava...
Como era intenso e profundo aquele trocar de sentidos.
Às vezes, depois de fazerem amor,Ele dormindo ao seu
lado serenamente,Ela buscava uma forma de alongar mais aquele estado de
espirito perfeito. Buscava um jeito de que perdurasse, não pela eternidade fora mas, pelo menos, mais um tempo, além do
que meras horas, à frente, no futuro.
Quando pensava que o mundo lá fora daquelas paredes,
ou lá fora dos portões do tempo a sacudiriam sem piedade alguma.
Lá em cima no
Chão, uma estrela segredou a outra:
- Será que aqui em cima têm mágicos como aqueles dois
ali, que fotografam
Sonhos?
A outra sorriu, deu de ombros e respondeu:
- olha direito, se fizeres isso vais ver que, Eles, os
dois, tem-nos reflectidas em seus olhos.
Bendita A Fé que move a inocência, pois...
Somos apenas ilusões d'uma desconcertante verdade
Do Livro o Ballet dos Camelos
Autora Ronilda/David /Loubah Sofia