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Música de fundo FELIZ NATAL AMIGOS!

domingo, 23 de novembro de 2014

Rascunho by Patrícia Pinna



Na amplitude universal
Encontramos rascunhos
Perambulantes na vertical
Entre cálidas paredes
Entre céus expostos ao luar

domingo, 9 de novembro de 2014

Resgate by Patrícia Pinna

Apodreceram as raízes num solo inquietante
Renovaram-se verdades imbuídas de amor
Num espírito livre, em si, quase um predador
Ferino, audaz, sensível,capaz e revigorante

Resgaste de alma, película protetora
Firmadora de um novo pensamento
Coesão flutuante, merecendo o bis da felicidade
Trazendo o brilho da aurora na existência

Credulidade na infinidade atemporal, paciente
Subserviente ao comando sutil da inteligência
Sabendo que o caminhar é uma ação indefinida, intuitiva
E, por vezes, solitária, quase uma muralha

Nesse resgate descobriu a vida e sua relevância
Fez-se leve e forte, permitiu-se sonhar, emoldurar sentimentos
Advertiu a si mesmo das contradições, contudo
Cingiu a pele de naturalidade e seguiu adiante!



                                                                    Patrícia Pinna
                                                           Redescobrindo a Alma


terça-feira, 4 de novembro de 2014

ALFAMA - Fados, Sonhos & Saudade Autor Hélder Gonçalves




Parte de um trecho do livro Alfama


Henrique fora abordado, em determinado momento, por um colega de trabalho que ele bem conhecia e simpatizava pela sua sobriedade – O Augusto. Era um homem muito reservado, de poucas palavras. Um dia, quando estavam nos balneários, perguntou-lhe se ele estava disponível, nessa noite para dar um salto até à “Voz do Operário”- precisava de falar com ele.
-Quero falar contigo, de forma a não termos qualquer pessoa, por perto, a dar fé daquilo que vou-te dizer.
-Henrique ficou numa atitude expectante
-Há algum problema com a oficina retorquiu por fim, Henrique, pensativo.
-Não, - está descansado que é um assunto fora da área direta de trabalho – não fiques preocupado, pois asseguro-te que não é caso para tal. – Logo verás!
Depois despediu-se dizendo-lhe, em confirmação – Então, até logo às nove horas.
Henrique, a caminho de casa transportando a sua lancheira de fole, onde levava o almoço, fato de macaco, e o tal boné deformado, ia cogitando sobre o que Augusto “sisudo” (era a alcunha) - lhe queria dizer. Estava morto de curiosidade, mas, também, de alguma ansiedade.
Logo, depois da rotina, que seguia, quando chegava a casa, sentou-se no banco da cozinha observando a mãe aprontando o jantar, até lhe perguntar:
-Que está fazendo para o jantar minha mãe?
-Olha, filho, uma sopa de feijão encarnado. Como conduto, fritei besugos e fiz arroz de tomate e pimento.
-Oh mãe digo-te que estou cheio de fome.

-Vai ao armário, corta rodelas de chouriço, mete numa bucha, e come com azeitonas. -Sempre dá para te entreteres até o jantar estar pronto. Esperamos pela tua irmã que não tarda – os velhotes já comeram e já se enfiaram no quarto. Os teus avós, já sabes como são – café, pão, peixe frito, vinho e azeitonas, mais vinho do que pão e, lá vão, um e outro praguejando por isto e por aquilo, para o quarto, – cada vez estão mais velhotes. - O teu avô está mais corcunda pela constante posição de estar sentado e curvado sobre os cestos. É a vida meu filho! - Temos de ter paciência, terminou, resignada, abanando a cabeça.




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