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Música de fundo



quinta-feira, 1 de maio de 2014

Urbana by Expedito Gonçalves Dias


Pra quem falo no meu silêncio de pedra?
Pra quem peço socorro?
Depois da queda não há ninguém.

Não sai no jornal se estou vivo ou se morro.
Morro aos poucos, mas meu corpo vaga por aí.
Minhas contas ninguém paga.
Minhas roupas ninguém lava.
Minhas culpas ninguém assume.
Os ponteiros do relógio pararam à meia-noite.
Sigo em companhia dos grilos e dos remanescentes vaga-lumes.
Uma catedral além da esquina redobrou meus medos com seus sinos.
Uma grande coincidência.
Brutal, gigantesca... Indecente!
Ainda tento procurar as páginas perdidas de um diário.
Nelas havia colocado minha sina.
Um holofote de jardim projeta minha sombra num prédio.
Um fantasma pedindo clemência,
uma sombra dantesca num cenário fatal.
Vago pela rua.
Corpo em decadência!
Alma nua, cuja inocência a lua levou com seu assédio...


(Ilustração: Google.Images)
Autor: Expedito Gonçalves Dias (Profex) - Autor do espaço: www.blogdoprofex.com
Escrito em 25-03-2011, em Varginha, 12:30 h