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Sala De Entrevista – Abril 2014 – Expedito Gonçalves Dias

Caros Amigos e leitores R.O hoje na Sala de Entrevista temos a honra de apresentar nosso Amigo e autor: Expedito Gonçalves Dias. Está será uma entrevista diferente. Invés de perguntas,foram colocadas tópicos e respondidos com grande riqueza de argumentos e factos a trajetória desse notável ser humano. Passemos a palavra então ao nosso convidado:

Pequena Bigrafia :
Primeiramente devo dizer que sinto-me honrado pela entrevista...
A minha trajetória de vida não caberia neste espaço, mas tentarei resumir minha vida. Começo por dizer que vim de família humilde mineira, portanto com seus carências e peculiaridades naturais. O mineiro é afetuoso, generoso e acima de tudo religioso.
Nasci, em Cajuri, uma localidade situada entre Viçosa e Visconde do Rio Branco. Só fiquei sabendo a localidade bem depois, pois fui criado como filho adotivo.
Na família havia mais 5 irmãos e fui o único a querer estudar, fazer colegial e faculdade.  
Sempre fui muito ligado e dos 9 aos 16 anos, a "Mangueira" era o local em que passei meus melhores momentos! Era uma área perto do Convento Santo Antonio em Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira. Ali se reuniam as crianças do bairro para bater uma pelada todos os dias com os amigos. E, com essa coisa mágica das redes sociais, tenho contato com muitos deles ainda! Quando não estava em casa ou na escola, estava na Mangueira: ali me socializei, joguei bola, desenhei no chão, subi nas árvores, tive minhas primeiras vitórias, decepções - desenvolvi a curiosidade e essa maneira meditativa e inquieta diante da vida...  
Na Mangueira,foi lá que resolvi tudo o que ia fazer: estudar muito, escrever e ser locutor de rádio. Ali, imaginei minhas pontes para o futuro e confesso que vivi, brinquei muito, moleque saudável que fui, mas sempre tinha uma revistinha da EBAL ou algum livro debaixo do braço. Aos 19 anos depois do Tiro de Guerra, o serviço militar local, fui para São Paulo, em busca de oportunidade como todo mineirinho, na época. Isso em 1969, o país vivia um regime de exceção. Mas como moleque não me afetou. Fui ver mais tarde quando fui dando conta de mim e resolvi fazer jornalismo. Detalhe: No fundo da sala do IMES havia sempre duas figuras de terno preto 'assistindo às aulas'.
Só nessa época tomaria ciência do que havia acontecido de verdade em 64 no Brasil.A censura era total. A partir de 82 a abertura política se deu.Voltando, em 79, eu me formava e quando dei por mim, já estava casado.Trabalhei na Petroquímica União S.A., subsidiária da Petrobrás, de 70 a 85, Neste período me casei, tive loja de produtos naturais em Sto André, lia em excesso e continuava a escrever meus poemas, atividade que comecei em 69, antes mesmo de sair das terras mineiras.Como todo mineiro da gema, voltei.Casei-me e meus 3 filhos começaram suas vidas em São Paulo. Mas era preciso um lugar para que eles crescessem da forma como cresci.Essa necessidade e a saudade do ar das montanhas obrigou-me a reencontrar Minas e vim para Lambari, a 70 km aqui de Varginha. Lá eles cresceram e se prepararam para o mundo e estão hoje todos bem. 
São eles: Uma filha, a do meio, Marina, vive há 9 anos na Espanha. O mais velho,Zanoni, é catedrático da Unicamp e mora em Campinas e a caçula,Lara, é psicóloga e mora em Floripa.Todos casados. Tenho dois netos que me foram dados pela Marina e estive recentemente com eles em Sant Just, perto de Barcelona, para vê-los. Sou o maior vô-coruja!
Fiz depois outros cursos, sou pedagogo e fiz pós-graduação em Didática Geral.
Ao voltar para Minas, lecionei no Estado por cerca de 15 anos e fui promoteur. Criei uma empresa de som, a MAZEL SOM e tinha meu estúdio de criação e uma equipe de 9 djs e fazia bailes, sonorizava e inventava, causava, fazia um alarde geral por todo o Sul de Minas. Quem não se lembra dos 'Embalos da Mazel' no Cassino de Lambari? Em Lambari, como em São Paulo, andei fazendo jornal, trabalhei como jornalista, mas sempre independente, como freelance ou criando jornais próprios. Fazendo jornal ou com a Mazel viajava muito por Lavras, Três Corações, São Lourenço, Cristais, Formiga, Candeias, Cana Verde, Carrancas e por aí vai. Tive loja de equipamentos eletrônicos em Lambari e Lavras. Tive muitas boas lembranças desse tempo, principalmente de 88 a 93.
Bateu saudade bem agora de um amigo e sócio, o Vicentinho de Campo Belo, que era um gênio da eletrônica, contador de piadas e 'piradaço'no bom sentido e, juntos, fizemos um arregaço pelas bandas de Campo Belo e Lavras. Alô Vicentinho! Precisamos bater um papo... Continuando, a 1º de Janeiro de 2000 eu inaugurava uma outra fase da vida: vim para Varginha. Eu havia me separado da primeira esposa em 98 e resolvi mudar-me de vez. E arrependi-me! Deveria ter vindo bem antes, pois Varginha me surpreendeu.
Adoro a terra do ET e aqui pretendo viver o resto dos meus anos. Devo dizer que passei maus pedaços em Varginha e também ótimos momentos, ao ponto de elegê-la como a cidade da minha vida! E olha que conheço muito pedaço dessa terrabrasilis e da Europa!Sempre estive atento à internet desde o tempo do ICQ sou ativo na WEB. Meu filho, Zanoni é Cientista da Computação, então dá pra sentir o quanto sou ligado! Lembro-me que nosso primeiro computador foi um M-1000;era da CCE, pretinho, lindo!-ainda não existia o Windows. Nele, meu filho começou a criar seus primeiros programas. E se mostrou um apaixonado por informática carreira que incentivei.
Busquei ser um pai presente, enquanto convivi com eles. Depois eles voaram e foram viver o mundo, mantenho contato com eles e participo com um deles (Marina) de uma página, 'Projeto Brasileirinhos' que ela desenvolve na Espanha.
O Jornalista e A Poetisa:
Conheci a Malu em Abril de 2010 pela Internet, pelo facebook . 
Os dois, blogueiros... foi um papo longo sobre a vida e as letras. Tão longo que se prolongou até hoje! 
A linha que divide a nossa vida em comum e a de poetas e blogueiros é muito tênue, pois aprendemos a dividir nossas experiências e ampliar nossa sabedoria diante dos percalços que vivemos. E aprendemos a transformar tudo em pequenas vitórias diárias, dignas de celebração. E esta pode ser simples, uma saída num barzinho, um bom vinho, sempre com muita cumplicidade.
Temos muito em comum: assistimos filmes diários e os discutimos; lemos, participamos da net, tomamos sorvetes no banco da praça e curtimos, juntos, shows de rock, clássico ou mpb. E muito recentemente vim rever meus irmãos biológicos e fui descobrir que sou privilegiado pois tive duas famílias e muitos, muitos irmãos...
A vida sem música não faz sentido!
Quando conheci a Malu eu era locutor em Varginha onde trabalhei em 2 emissoras. A música estava lá, presente. Curtia muito o que eu fazia e, como em tudo que faço, dava tudo de mim e a audiência era grande.
Na primeira vez que me visitou pode conhecer a emissora e foi curtir um programa comigo (sem duplo sentido!) e ela curtiu muito tudo aquilo. Depois disso, comecei a visitar a cidade dela, Cabreúva-SP, próximo a Jundiaí. Conheci em seguida seus pais e, um belo dia, ela resolveu mudar-se definitivamente para cá. Pelo que ela fala, também se apaixonou pela cidade...
Aposentei-me e em 2012 deixei também as atividades de rádio. Quando a Malu veio para Varginha, passei a me dedicar mais à Internet e à nossa vida em comum.
Hoje vivemos os 4: eu, ela e os pais dela, aqui, escondido entre as montanhas mineiras. E uma fatalidade, um AVC sofrido pelo pai dela em Maio do ano passado, nos reuniu.

Sonhos e projetos:
Eu tenho um sonho e acho que deveria ser o de todos: aprender a celebrar o presente diário que Deus nos oferece!
Todas as noites eu peço ao Criador: "Dê me mais Sabedoria!" - É o único bem perene e verdadeiro! Recomendo e digo como isso me fortalece a ponto das pessoas com as quais convivo sentirem essa força!
Sonhos, tenho muitos! Se ainda vou conseguir colocá-los em prática não compete a mim saber.
Tenho um livro inacabado (travei por uns tempos!) e vou terminá-lo. Quero também publicar uma coletânea dos meus textos. Quero ir com a Malu a vários lugares e isso inclui a Europa, pois fui, recentemente, sem ela. Quero levá-la a conhecer minha cidade natal e meus amigos de infância, além dos meus parentes espalhados por aí. E viajar muito para conhecer lugares novos. E a escolha dela é muito importante, a partir daí.
Quero poder continuar ainda crescendo, pois o aprendizado é eterno.
Quanto ao meu processo de criação: as idéias nascem, às vezes por questões do dia a dia. Outras, assim... do nada!
Acontece de um assunto me perseguir por dias e então começo a escrever e não consigo parar. Escrevo, escrevo ... e só depois formato. Outras vezes nem preciso 'editar' nada, sai fluido. Escrevo a qualquer hora, de dia ou de noite. E às vezes faço pequenas anotações num papel sulfite dobrado que vou carregando comigo. Até que sento em frente ao computador para elaborar o texto poético.
Escrevo sobre tudo, a minha inspiração vem da vida, dos relacionamentos humanos e do meu espanto diante do mundo. Nos meus textos falo sobre a alegria de viver ou sobre a indignação diante de algumas coisas...
Ídolos ou pessoas que admira:
Não tenho ídolos, mas admiro algumas pessoas pelo seu caráter, pela idéias, pela forma de ver a vida ou pela obra que conseguiu realizar. Acredito que todos realizamos grandes obras. Algumas pessoas, no entanto,  têm a sua obra reconhecida. Assim acho que todos somos iguais, comuns, mas criadores, continuadores da obra do mundo. Alguns se tornam especiais, dependendo apenas dos holofotes, dos modismos, do tempo e da sorte, quem sabe...
Admiro as palavras de Jesus,a vida de Buda, o pensamento de Krishnamurti, a sagacidade de Lula, a genialidade de Einstein, a obra musical de Chico Buarque, a voz de Elis Regina, o ritmo de Jorge Benjor, o ativismo de Bono Vox, as tramas em versos de Drummond, a dramaticidade de Augusto dos Anjos, a construção literária de Guimarães Rosa, a distopia de Saramago, a beleza de Sophia Loren, o companheirismo da Malu...
Sobre a globosfera, redes sociais e blogagem:
Digo que foi algo mágico essa coisa de tecnologia e internet! Para os governos uma forma de continuar com o controle social; para quem não tem o que fazer, é a melhor forma de passatempo; para as pessoas criativas, uma plataforma de desenvolvimento literário... e por aí vai. 
A vida virtual é uma extensão da nossa vida comum. E podemos dar a ela a maquiagem que quisermos. E, sinceramente, quem está fora da internet está fora do mundo hoje em dia, pois ela se tornou, mais que integrante,  uma parte essencial da vida. Eu praticamente compro 40% das coisas que uso pela internet e a tendência é aumentar. E acredito que ainda não vimos nada em termos de vida virtual, estamos apenas no começo. Algo bem mais elaborado nos aguarda. Tenho até algumas idéias e informações sobre isso, mas não daria para falar neste espaço. 
Em resumo o que me deixa empolgado tem a ver com música, tecnologia, fotografia, cinema, viagem e outras culturas.
Músicas: Não poderia deixar de citar as músicas. Eis uma dúzia delas, que fazem minha cabeça: Mac Arthur Park(Richard Harris), La Maritza(Silvye Vartan), Hallelujah(Leonard Cohen), One(U2), Românticos(Vander Lee),Companheira de Alta Luz(Zé Ramalho), Íris(Win Mertens), Um mágico no Peito(Pedro Abrunhosa e Lenine), Zé Geraldo(Cidadão), Wilson Sideral(Maria), Geni e o Zepelin(Chico Buarque), O Sal da Terra(Beto Guedes).
Ou seja, sou um tipo muito comum...

Como chegou no R.O pergunta do Lu Cidreira:Cheguei ao Refúgio das Origens através do convite da Malu que acabara de entrar também. Ronilda e Helder fizeram o convite e aqui estou fazendo parte dessa inefável confraria e vejo que cada dia chega mais irmãos das letras. estou adorando!

Uma pequena ficha:
Idade: 63 anos (09-09-1950)
Opção política: trabalhista (de verdade)
Religião: ecumênico (tá tudo valendo, ou não)
Preferência literária: Poesia
Professor por 15 anos. Lecionou Língua Portuguesa, Ciências, Turismo. Jornalista, pedagogo e Didata.
Fez jornais, ciou eventos e foi radialista por mais 12 anos.
Mas na verdade: blogueiro. 
O que eu gosto mais: Música, Literatura e Viagem  e principalmente navegar na internet em pesquisas que nunca acabam e ler blogs em geral . Discutir os assuntos depois com a Malu, quando dá.
A melhor viagem que fez: à Paris
O melhor lugar pra se viver: onde estou, pois vivo cada minuto do presente. E assim sendo, Varginha-MG, a terra do ET, é esse lugar.
Mania: colecionar músicas e filmes.
Um filme: O Feitiço do Tempo - assisti quase dez vezes.
Um livro: Zanoni
Uma Música especial: Iris - Wim Merten
Uma mensagem: Desembrulhem o presente diário que é a vida! Causem! Provoquem! Vivam! E não queiram mais do que Sabedoria para desfrutar de tudo. É suficiente!

Considerações Finais R.O
Nossa gratidão aos nossos autores que contribuiram os tópicos
dessa entrevista: Hélder Gonçalves,Lu Cidreira,Malu Silva,Rosa Maria,Cris Henriques . Ao nosso estimado Profex, um Bem Haja pela vida exemplar e vitoriosa, muito obrigado por partilhar um bocadinho conosco.

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