No varal




Cheguei deixando todo o peso
toda a bagagem de anos
todo o cansaço diluindo-se
esvaziando-se
do meu corpo
tirei os sapatos
que martirizavam meus pés
lavei meu corpo
com sais, sálvia e camomilas
as crostas do tempo
foram se soltando
e eu ficando cada vez mais leve
não haveria mais de voltar
por esse caminho
outros ventos sopravam
recolhi meu corpo
e pendurei delicadamente
no varal para descansar

Marisete Zanon  - In Confissionarium Book - pág. 123

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