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Música de fundo



segunda-feira, 10 de março de 2014

JUVENTUDE A QUANTO OBRIGAS






              Naquela viela estreita, gentios horrores 
Um bafo quente, de estranhos odores
Com nome esquisito Rua das Atafonas
Tabernas esconças, cheiros e  sabores
Putas, encostadas, em porta carcomida
Gastas pelo tempo, escadas da má vida!

Vendem o corpo mal nutrido,desajeitado
De mamas caídas suportadas em trapos
Pernas ao léu, varizes azuis aos esses desenhadas
Pequenas saias - mais parecendo farrapos
Desdentadas, desgrenhadas, ali plantadas,
sem tempo, chulos ao lado ,no mesmo  pecado!

Ao lado, a taberna exala cheiros rançosos
De tantas iscas com elas, ali passadas
Em molho grosso de frituras continuadas
P!raquela gente eram pitéus bem saborosos
Conversas estúpidas , galhofando com as putas
Gritos histéricos,  em alvares gargalhadas!

Juventude a quanto obrigas -  por ali passei
Beijos balofos em nome do desejo, suportei
Meus olhares, nesse tempo, não eram esquisitos
Para mim o importante era ter os requisitos
Como adolescente candidato a homem em ebolição
Sonhos noturnos  com momentos de masturbação
Por uma puta bem gordinha  me enamorei
De seu nome Olga, por ela, então, me apaixonei
Recebi favores, carinho e até amor dela granjeei
Por isso sempre pensei que ser puta – Meu Deus!
Nada mancha o coração, amor, mesmo, o dos Céus
Também, como Cristo e Madalena, a pedra não atirei!

Hélder Gonçalves
Julho 2013