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Música de fundo



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Resta uma Rima


...E digo ainda a contragosto
que nem tudo foi possível:
faltou um fiapo de alegria,
e umas gotas de bom senso.
Mas sobrou dor - inconfundível 
- tipo nervo exposto...

Faltou também sinceridade,
faltou quem sabe, poesia, 
um naco apenas para se alcançar 
o sentido da busca da verdade. 

Mas não faltou coragem.
Mostrei minha carta de intenções
enxuta -disse em poucas palavras.
Arrisquei minha imagem de durão
e dei-lhe fartas razões pra decidir
acreditar em mim, que não mudei...

Arrisquei e perdi.
Faltou sobretudo, tolerância e respeito,
faltou jeito e jogo de cintura.
Faltou um pedido de recurso, 
quem sabe, mais uma instância.

Mas encerrou-se o tempo.
Acabou a sessão.
Ganhou a verdade e o orgulho ferido
perdeu mais uma vez o coração.

Varro o entulho. 
Saio de cena cabisbaixo.
Foi-se a festa. O amor acabou.
E todos os sonhos, os meus e os seus.
Recomponho o que resta da minha autoestima.
Não me encaixo mais no esquema desta pantomima;
e digo então adeus... 

...para que meu poema 
não perca de vez a sua última rima!



Autor: Expedito Gonçalves Dias 
(Escrito em 15-05-2001 às 15:00 h, em Varginha-MG)