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Música de fundo



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Quantas vezes, Amor, me tens ferido? by Bocage





Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

Quantas vezes, Razão, me tens curado?

Quão fácil de um estado a outro estado

O mortal sem querer é conduzido!


Tal, que em grau venerando, alto e luzido,

Como que até regia a mão do fado,

Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,

Depois com ferros vis se vê cingido:


Para que o nosso orgulho as asas corte,

Que variedade inclui esta medida,

Este intervalo da existência à morte!


Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;

É lei da natureza, é lei da sorte,

Que seja o mal e o bem matiz da vida.



Bocage