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SUSETE

                                
                                    

Quase sempre por volta das oito e meia da manhã, Susete, estava à porta duma agência bancária, para ser dos primeiros clientes atendidos.

Morava alí perto, numa pequena moradia em Carcavelos.

Depois dos assuntos devidamente tratados e uma pequena cavaqueira com os empregados, nos entretantos, sentava-se num dos maples do hall, aguardando a chegada do sócio, também ele  morando alí próximo.
Depois seguiam os dois, ele, num BMW e ela num pequeno MG descapotável, rumo  a Lisboa.
Os dois, exploravam uma pequena empresa, na venda de caravanas de turismo que se situava no Lumiar.

Mulher a rondar os trinta e poucos anos, bastante bonita, cor de pele branca e cabelo louro natural esticado, a moldandar-lhe a cabeça, apanhado atrás, em “rabo de cavalo.” Os olhos eram azuis, dando-lhe um perfeito toque de mulher nórdica. Porém, era oriunda do Minho, daí, talvez, a sua diferença de ordem genética, tendo em conta as diversas comunidades que por ali se fixaram numa mistura de povos de diversas origens, do norte da peninsula e não só.

Vestia com gosto, dentro da simplicidade que a sua actividade exigia. Normalmente vestia casaco e calça bem talhada a cair-lhe solta e impecavelmente direita sobre os sapatos de tiras e de saltos altos bastante finos.  A sua cor predileta era o branco.

O sócio – um homem a rondar os sessenta e tal anos – tinha um porte elegante no trajar tradicional em corte de alfaiate particular.
Meio calvo, com o cabelo lateral bem colado e brilhante junto às orelhas a dar-lhe um aspecto bastante distinto.
A sua conversa era bastante fluente com tiques muito especiais próprios daqueles que frequentam os salões e clubes da alta burguesia. Usava gravatas de cores garridas mas de inegável bom gosto.

Quando se dirigia ao balcão do Banco, era sempre atendido pelo gerente, o que sugeria, à partida, ser um cliente especial.  Com uma postura de grande sobranceria que o saldo da sua confortável conta ali existente lhe permitia, ele nunca pedia fosse o que fosse – dava ordens!

O gerente, de seu nome, Fernando, rondando a idade dos trinta e tantos anos, atingira aquele lugar na instituição, desde muito novo, seguindo uma trajetoria de carreira profissional dentro do que era usual naquele tempo, em que a formação profissional fazia parte dos ensinamentos colhidos no exercicio da prática e da sua evolução na empresa. Essa formação deu-lhe, também, um sólido conhecimento na área das relações humanas.  Era casado e residia em Algés.





Susete dirigia a firma com a sua presença normalmente fixada  no stand, onde aí, promovia as vendas, elaborava contratos e preenchia as promissórias (letras) que seriam, posteriormente, entregues no banco para desconto e respectivo crédito na conta da firma.
Assim, a sua ligação com o balcão do banco, era bastante frequente, sentindo uma particular satisfação em ser atendida em breve tempo, pelo gerente, que sempre lhe proporcionava alguma conversa fora do ambito profissional e da rotina do trabalho.
Por vezes, até, quando tinha algum problema mais complexo, no contexto de ordem bancária, telefonava ao gerente, para saber da sua agenda e da disponibilidade para almoçarem num certo restaurante da marginal, junto ao mar e assim, com mais tempo, poder obter informações de apoio à sua gestão, com vista a um melhor  relacionamento  da pequena empresa com os serviços do banco.

Chegava sempre no seu pequeno MG, quase sempre à hora marcada, saíndo com elegancia desportiva sob o olhar atento do gerente bancário que a recebia sempre à porta do restaurante, depois de logo sair do seu carro, previamente  estacionado, esperando sempre um pouco por ela, para  ali, no parque de estacionamento, recebe-la com simpatia.  De facto, Fernando,  gostava imenso daqueles bons momentos que lhes eram dados para poder compartilhar a companhia daquela elegante e bonita mulher. 
Depois, sentados à mesa, escolhidos os pratos, dáva-lhe  o privilégio de ele escolher o vinho que melhor entendesse ser adequado para  o prato escolhido. Começavam, então, a conversar, enquanto esperavam a comida. Dava conta dos seus afazeres, sendo notório que valorizava muito o seu trabalho, refletido nos inumeros contratos que conseguia firmar com os seus clientes – tinha um tique engraçado ao descrever certas situações vividas no escritório. Alguns deles, davam-lhe a necessidade de dar alguma enfase à narrativa, acompanhado de um tique bem peculiar nela que era o de colocar as duas mãos nos bordos da mesa, inclinando-se, um pouco, em simultaneo, para um dos lados, disparando, graciosamente, referindo-se a um certo género de clientes, “daqueles tipo chatos até dizer chega:” -  “eu já estava mesmo podre.” – era um dito bem comum na sua narrativa.

Era casada com um homem mais ou menos da sua idade que já fora, em certa altura, apresentado a Fernando.
De porte atlético, pouco comunicativo,  raramente se fazia apresentar em companhia da mulher. Esta situação inspirava uma certa curiosidade a Fernando.

Quanto ao sócio, de seu nome Luciano, - Dr. Luciano, como era conhecido, exercia advocacia num escritório de advogados de grande reputação, em Lisboa.
Oriundo da cidade da Guarda, residia em Nova Oeiras, era casado e tinha dois filhos já casados.
Possuidor de boa fortuna, não só por ter herdado mas, ainda, por ter aumentado o seu património através de elevados honorários e outras comissões, no desempenho de um profícuo trabalho como causídico e dono de um respeitado e conhecido escritório de advogados. Daí a sua notória conta bancária que caucionava, em paralelo, as responsabilidades contraídas pela firma, junto daquele balcão bancário.

Corria  “à boca fechada”pelos empregados ser amante de Susete !



Certo dia, Fernando, quando apreciava uma operação que fora proposta ao banco, pela pequena empresa de Susete, reparou que o nível de responsabilidades tinha atingido o nível máximo desejável. Ultrapassar tal limite, não seria conveniente para a segurança do crédito já comprometido. Era pois, prudente, prevenir a atual situação, com  o pedido da prestação de elementos de escrita disponíveis, bem como a demonstração de alguns rácios apresentados nos elementos oficiais de contas, em cotejamento com os existentes no balcão e ainda,outros dados de gestão.

Com efeito, alguns dias passaram, depois dos serviços da agência bancária terem oficialmente solicitado tais elementos e o Dr. Luciano ter telefonado ao gerente Fernando, a convidá-lo para um almoço de serviço, a fim de lhe entregar tais elementos que haviam sido solicitados e fornecer-lhe algumas informações complementares que fosse oportuno disponibilisar.

E, assim, aconteceu: À hora certa o BMW impecavelmente limpo e reluzente do Dr. Luciano, estacionava à porta do banco, para aí, apanhar  Fernando e depois seguirem juntos, para Lisboa, concretamente, para o parque florestal de Monsanto.

Pouco depois entraram num restaurante de qualidade que fazia parte do Clube dos Caçadores  onde, também, se praticava o tiro.
Pelo trato e deferencia dos empregados, Fernando constatou que o Dr. Luciano era cliente habitual daquela casa.  Uma sala bastante agradável, compunha um ambiente bastante seletivo e de qualidade, convidando a uma descontração e bem estar – daqueles espaços altamente personalizados que proporcionam tranquilidade. situados em terrenos bastante arborisados.

Depois do Dr. Luciano ter escolhido um prato de caça, com a recomendação do Chefe de mesa, para servir o vinho mais adequado, começou por entrar numa conversa banal, dando conhecimento do seu gosto pela caça, das suas andanças e movimentações nesta área.
De facto, era em Espanha, próximo da fronteira de Elvas que ele, mais um grupo de amigos, faziam parte de uma sociedade que suportava uma grande cotada para, periodicamente, se reunirem e darem satisfação ao desporto que tanto gostavam. Além do mais, era  um encontro de grande impacto social, onde os negócios também tinham lugar.

Já, na mesa, a refeição estava servida e os primeiros goles sorvidos, Dr. Luciano com, uma certa solenidade, alterou o tema da conversa focalizando-a, agora, no que fora agendado, mas antes fez questão, como um preambulo, de dar uma breve informação do porquê  do nascimento  de tal empresa, de venda de caravanas.

Foi, a partir daquele momento que Fernando ficou a saber do grande amor que Luciano nutria por Susete. De facto e conforme a sua confissão ele estava loucamente apaixonado por aquela mulher, ao ponto de fazer qualquer loucura para a ter sempre a seu lado, proporcionando-lhe constituir aquela empresa, insistentemente sugerida por ela, comprando-a a um seu amigo, em má situação financeira, tendo, para isso, que arrumar, de uma vez por todas, as dívidas existentes na  praça, bem como os débitos incumpridos, junto da banca.

Fernando, inesperadamente, sentiu um certo desconforto pela confissão, ao mesmo tempo que experimentava um sentimento de receio, tendo em conta a loucura daquele homem e a fragilidade em que a constituição daquela pequena empresa assentava. Ao fim e ao cabo, era um alibi a justificar uma relação amorosa bastante inconveniente. 
Aquela idoneidade necessária numa parceria de negócios, cliente/Banco estava, de certa forma, posta em causa – o seu interesse  centrava-se quase, unicamente, num jogo de amor! Fora a maneira que Luciano encontrou melhor para a cativar e prende-la, tornando-se, assim, necessáriamente um elo imprescindível,  na sua relação com a amante.
Fernando sentiu um certo sentimento de vaidade por ser confidente daquele homem que sempre projetava um ar de superioridade arrogante, para todo o mundo que o servia, mas, naquele preciso momento, também activou-se, dentro dele, um clique bem conhecido – prudencia e segurança, era o caminho a seguir.

A seguir ao café, Luciano, retirou de uma pequena pasta de couro, os documentos que Fernando solicitara, acrescentando confirmar a sua disponibilidade para qualquer eventual dúvida.




Dias passaram, após este almoço.
Fernando ao analisar alguns elementos contabilisticos e de registos da empresa,ficou alertado para determinadas situações que não jogavam certas, com os números existentes nos serviços do banco

Entretanto, Susete continuava na sua rotina habitual.

Certo dia apareceu no banco, ao fim da tarde – queria falar com Fernando. Entrou com o seu charme, a sua elegancia, o seu ar jovial. Abrindo a pasta que sempre a acompanhava, retirou alguns bilhetes e estendendo a mão para lhe oferecer disse: são para a “FIL” – gostaria imenso que visitasse o meu “Stand”.  Fernando, retirou um bilhete, dizendo-lhe que teria muito prazer em aceitar, sendo visivel no seu rosto o contentamento com que recebeu tal convite. Era impossivel escapar ao poder sedutor daquela mulher – tudo nela parecia simples e natural ao mesmo tempo inebriante. Não necessitava de quaisquer outros ingredientes para irradiar simpatia e grande poder de sedução.
Nessa mesma noite, Fernando, jantou no restaurante da Feira Industrial. Em seguida, iria visitar o Stand de caravanas, em exibição.
Susete estava bastante atarefada no apoio aos visitantes que apreciavam as caravanas, em exposição.
Com um “com licença” esgueirou-se entre eles, acercando-se, depois, de Fernando, segurando-o no braço, para acompanha-lo a um maple, convidando-o seguidamente a sentar-se. Bem perto uma pequena mesa servia de exposição com vários panfletos da firma a exibirem fotos de caravanas estacionadas em diversos locais paradisíacos.
Durante alguns momentos, Fernando, assistiu aquela mulher a desdobrar-se ativamente no atendimento dos visitantes que iam solicitando  explicações detalhadas sobre o material exposto. Não havia dúvidas – ela era uma vendedora nata. Ao convida-lo para ali estar presente, dava-lhe uma prova eloquente da sua capacidade e competencia, como desenvolvia a sua actividade.
Fernando, depois de alguns momentos e após a chegada do Dr. Luciano, achou por bem, dar como terminada aquela visita.
Destacando-se de todos os presentes, veio despedir-se dele com um beijo, dizendo-lhe quanto apreciara a sua disponibilidade para aquela visita, acompanhando-o até fora do retangulo coberto com passadeira verde sugerindo um espaço relvado.

Fernando juntou-se à multidão. Parando um breve momento, olhou para trás – ela acenou-lhe com a mão, enviando-lhe graciosamente um beijo num sopro!  Seguiu então, o seu caminho, com um estranho pressentimento.





Nunca mais Fernando falara com ela, a partir daquela noite. No entanto, ainda conseguira ve-la mais uma vez. Foi no restaurante Mónaco, na marginal.

Fernando tinha recebido um telefonema nessa tarde – era do chefe António, cliente do banco. Manifestava o desejo que ele passasse, à noite, pelo Bar do restaurante, a fim de se inteirar do seu conselho, quanto algumas aplicações que pretendia fazer, junto do balcão do banco.  Fernando era visitante assiduo daquele restaurante – um ícone de qualidade turistica, naquela zona da marginal. Bem gerido, com ramificações em Espanha. Nele, várias personalidades políticas, artísticas e do mundo  empresarial, através dos seus executivos, era dado encontrá-las em frequentes encontros quer de trabalho quer, ainda, de lazer.

Fernando, tinha sempre uma bebida disponível no Bar. Chefe António, fazia questão em sempre servi-lo. Depois, em pé, escutava, atentamente, os conselhos que Fernando lhe sugeria para a melhor rentabilização das suas poupanças. Tinha, ali ,o balcão do banco à sua mão.  Também, de vez enquanto, o patrão, sentava-se para conversar sobre aspetos da vida financeira da qual tinha uma larga visão e experiencia. Contatos não lhe faltavam.
Fernando olhou para o relógio – eram onze horas da noite. A sala de jantar estava completamente cheia, como era habitual. Alguns casais dançavam na pista, ao som de um conjunto privativo, com um bom vocalista e vasto reportório.  “Feeling” era a canção a ser ouvida naquele momento.
Fernando, daquele local do  Bar podia alcançar visualmente a sala de jantar.
Eis que, de repente, deu com um casal romanticamente abraçado, com os rostos colados – Era a Susete e o marido!
Constituiam um belo par. Deslizavam suavemente, com a elegancia dos seus corpos jovens! Era uma demonstração de sensualidade e de cumplicidade no desejo que transparecia nos seus rostos, inebriados por aquela canção que, tão bem, se enquadrava ao momento.  Era evidente que Susete não dera pela sua presença.  Estava completamente descontraída e notava-se que estava feliz.
Em certa pausa musical, depois de sentados nos seus lugares da mesa, retiraram do escaparate de suporte do balde do gelo, uma garrafa de champanhe. O empregado atento e solícito, acudiu rápido a servir-lhes, enchendo-lhes  as taças.
No borbulhar da espuma e com os copos levantados, fizeram um qualquer brinde, só eles sabiam a quê – os olhos estavam fixos um no outro, numa evidente cumplicidade!



Naquela noite, já a caminho de casa, Fernando abriu a janela do carro para deixar passar o ar da noite. Aquela deslocação de vento a fustigar-lhe o rosto, despertava-o. Uma série de questões estavam equacionadas no seu pensamento.  Algo não estava a bater certo! Tinha esse pressentimento.







Dr. Luciano, entrou no banco, naquela manhã, à hora  do costume. Seguiu rápido para o gabinete da gerencia, pedindo a Fernando para pôr o dispositivo de “ocupado a funcionar”-  Fernando olhou surpreso para ele, reparando que estava fora de si.
Deixando-se caír, pesadamente, sobre o maple disse, olhando vagamente para o infinito: está tudo acabado! exclamou – a Susete deixou-me!
O pior disto tudo é que não posso viver sem ela, francamente não sei o que fazer.
Depois, aquele homem até então revestido por uma carapaça altaneira, por vezes até, de uma sobranceria arrogante, sempre seguro de si, caiu num pranto, deixando Fernando sem jeito, estupefacto por tal situação tão insólita e desconfortável. Confessou, pouco depois, ter sido vítima de uma traição e, sobretudo, de uma tremenda ingratidão !

Depois de se recompor disse-lhe com enfase – desculpe-me, sei que você é um homem de principios e não irá, jamais, explorar esta minha fraqueza. Por outro lado não tenho ninguem para desabafar.  Mas, também o que me trás aqui, hoje, é um motivo de negócios e não do coração. Assim, venho comunicar-lhe que a partir deste momento assumirei todas as respomsabilidades da firma perante o banco, honrando todos os compromissos em que a minha assinatura esteja firmada.
Sem saber o que dizer Fernando ficou desajeitadamente silencioso.  Olhou para ele e reparou que não era, exatamente, o homem que antes conhecera mas sim, um destroço humano!








Alguns meses passaram. Nunca mais foram ao banco – tudo era resolvido através da conta particular do Dr. Luciano – assim como todas as responsabilidades da firma, existentes no banco.

Certo dia, Fernando ao abrir a correspondencia, deparou com uma carta  que lhe era diretamente dirigida pela Polícia Juciciária.  Não tardou em abri-la e saber que estava a ser convocado para  apresentar-se na sede daquela polícia, em Lisboa a fim de prestar esclarecimentos sobre um processo a decorrer, de assalto à mão armada, ocorrido em anos anteriores, naquele balcão do banco.
Pelas diversas vezes que, por esse motivo, já tinha sido convocado, conhecia bem os meandros daquele edificio, bem como alguns agentes.  Encontrou, rapidamente, o inspector Ramos que requeria a sua presença para  um reconhecimento de fotos.  Naquela secretária, havia uma bagunça de “dossiers”encadernados. Por detrás dessa montanha de papel, o inspector, com os óculos de aros pretos encaixados no topo da cabeça, mandou-me sentar de forma a que Fernando o conseguisse ver.
Depois de se cumprimentarem, foi o desfolhar de fotos atrás de fotos que Fernando teve de se concentrar para o reconhecimento dos assaltantes. Acabada esta colaboração, sem qualquer resultado prático, foi, depois, confrontado com a pergunta “será que vai reconhecer estas?”ao mesmo tempo que abria outro dossier e lhe estendia a página onde estavam escarrapachadas duas fotografias. 
Fernando estupefacto, não podia acreditar no que estava a ver – nada mais, nada menos, na sua frente as fotos de Susete e o marido, devidamente cadastrados. – até na foto de prisioneira ela era bonita! O inspetor Ramos, fitou Fernando com um olhar perspicaz, tentando colher todas as reações dele, disparando uma pergunta – e estas conhece? Insistiu! Fernando respondeu afirmativamente, sem conter a sua admiração e certa consternação! (Infelizmente – pensou!)
- pois estes seus clientes, teem vários processos de burla qualificada, roubo e falsificação de documentos!  - o último golpe ocorreu numa firma cujo sócio é  um tal Dr.Lúciano Rodrigues, também, ao que presumo, seu cliente 

– aliás ele figura como queixoso neste processo. “Foi bem esfolado”!
- Digo-lhe, que você terá tido muita sorte, se não embarcou no canto da sereia! Fernando sorriu – estava tranquilo nesse sentido!
- Também acrescento que, Susete, é uma refinada vigarista, já há muito do nosso conhecimento e tem sido vigiada por nós. – o marido é o seu cumplice, espécie de guarda costas!
- Sendo uma mulher de grande beleza, como sabe, dote este acrescido de uma invulgar inteligencia que lhe dá o melhor ingrediente – uma autentica bomba, para melhor consubstanciar os golpes que  se propunha realizar.
- Portanto, a pergunta que pretendo fazer é esta: sabe-me informar do seu paradeiro? – é que desapareceram e não deixaram rasto.
Fernando respondeu que não sabia.  Havia meses que não aparecia no banco!

Com um forte aperto de mão do inspetor Ramos, saíu do edificio completamente aturdido. Olhou o relógio - eram cinco horas da tarde.
Decidiu fazer um telefonema à sua mulher para terminar o dia na sua companhia – ela trabalhava numa companhia de seguros, sediada numa das torres das Amoreiras.

Assim que chegou perto dela, recebido com o habitual delicioso sorriso, abraçou-a, beijando-a com um carinho invulgarmente bem acentuado!  Ela, com uma certa admiração e numa atitude expectante perguntou-lhe: -  a que devo este teu abraço tão ternurento?
Fernando misterioso respondeu-lhe: - por nada …por nada!
Então, ela, beijando-a novamente, disse-lhe ao ouvido: - seja aquilo que for, eu aproveito a boleia!

E, nessa noite, foram, a convite de Fernando, jantar num bom restaurante.




Hélder Gonçalves
(Docarmo)
Janeiro 2009  
Imagem Google


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