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Música de fundo



terça-feira, 1 de outubro de 2013

O terceiro grito



O terceiro Grito argumento de autoria do Jornalista e escritor Inocêncio Nóbrega
Gritar, falar alto, sempre incomoda aos ouvidos, porém na terra de surdos esta a melhor alternativa. Voz baixa, moderada, manifestada nas suas cartas às Cortes, também não deu certo, o que levou a D. Pedro ao Grito do Ipiranga. Portugal acordou, mas era tarde, em poucos meses o brado, seguindo o modelo de outros brados, terminou de vez com as pretensões portuguesas. Passamos a simbolizar o ato a cada Sete de Setembro, povo e dirigentes. Não sei de sua primeira edição em público. O dia maior da Pátria existe e é nela que recarregamos nossas energias de civismo. Desfiles, irmanando-se militares e civis, foram concebidos nas cidades do país, nalgumas com mais pompas. Renasciam o entusiasmo e a confiança no grande destino da nação.
Desde a presença de autoridades fantoches nos palanques as solenidades da data foram caindo de prestígio. A mídia sonora colaborou nesse desmonte. Institutos de educação e cultura; trabalhadores e patrões vendaram-lhes os olhos. Assim, caminhamos para a Pátria de ninguém, e antes que acontecesse por completo, a Igreja jovem resolveu intervir, surgindo, em 1995, a versão do Grito dos Excluídos, tema da Campanha da Fraternidade naquele ano. A partir daí os dois gritos, de expulsores e excludentes, correm juntos, cada qual a seu estilo, desmazelos de um e teológico do segundo.
Esvaziada, novamente a atenta juventude é chamada. A acomodação não é de seu feitio. Quer garantia de seu futuro e do Brasil, já. Abomina a praxe das marchas e discursos vazios, a incutirem falso patriotismo. Sem emitir vozes, simplesmente com seus gestos aponta soluções. Relembrando o “esculacho”, o chamado Black bloc distribui-se em blocos radicais, porém fraternos, que aparecem de tocas e estandartes negros, além das cores nacionais, de braços dados formados em cordões, dispostos ao confronto com os policiais, numa sequência de gritos de guerra. São grupos solidários, definindo-se como “coletivo unido”, pregando o fim do capitalismo, do lucro aviltante, fazendo apologia do voto nulo. Escandalosa concentração de riquezas da rede bancária, corrução e impunidade estão sob sua mira. Há até palhaços, que em megafones destilam ideologia em versos. É o Terceiro Grito, buscando na história, de séculos atrás, uma prática usual contra reinos da época, vários destronados, inovadora entre nós, e violência só acontece para revidar provocações violentas. Rio de Janeiro e outras capitais protagonizaram a nova forma de protesto, para temor de alguns governantes estaduais e seus auxiliares, que preferiram desertar, uns se apressaram em sair, das comemorações do Dia da Pátria, talvez envergonhados.
Inocêncio Nóbrega 
Jornalista
inocnf@gmail.com. 
 

O jornalista e escritor Inocêncio Nóbrega Filho foi homenageado com a concessão da Medalha Augusto dos Anjos na Assembléia Legislativa da Paraíba através da proposição do deputado estadual Dunga Júnior (PTB). 
Dunga Júnior ressaltou a importância do jornalista, que desde a década de 50 milita na imprensa paraibana, além de seu envolvimento nas batalhas nacionalistas, sobretudo na época da ditadura militar. 
“Um grande historiador, um grande homem, que um tem legado grandioso pela Paraíba. Uma homenagem mais do merecida a esse homem, pelo seu histórico e pela sua luta. O sabor de viver faz parte da vida do homenageado E também por ser prata da Casa, já que foi funcionário da ALPB por muitos anos”, afirmou o parlamentar.
Já o jornalista agradeceu a todos os presentes e em especial à Mesa Diretora da ALPB pela homenagem e também falou sobre a sua segunda obra. “É um resgate dos que escreveram sobre a história do Brasil. Agradeço a homenagem prestada, e dedico aos colegas jornalistas”, ressaltou Inocêncio Nóbrega.
De acordo com ele, o livro trata de todo o processo de Independência do Brasil, começando em 1630, com o enforcamento de Domingos Escalabar e culminando em 1831, com a abdicação de dom Pedro e o envolvimento do jornalista paraibano Antônio Borges da Fonseca.
Atualmente, Inocêncio mora na cidade de Maceió, em Alagoas, onde escreve para o jornal Tribuna Independente e também para o jornal paraibano Contraponto.

Imagem: Google meramente ilustrativa.