À DERIVA...






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É tudo!
O sexo sem nexo...
O abismo entre o no sense e o complexo...
Segura-me as mãos, um anjo de asas postiças
que de anjo nada tem,
pois é andarilho de Hades,
jardineiro hábil
que semeia miosótis pelos meus jardins,
regando as cavas profundas do meu corpo,
esculpindo meus sonhos em rosas-marfim.
É tudo!
Suposto...
Oposto...
O rosto...
O gosto sem gosto...
Água pura de insípida geleira derretida.
É a vida!
Insana...
Profana...
Sem vestes...
Nua...
Crua...
É tudo!
Meus passos soltos na rua
e minha sensação de tocar o infinito...
Liberdade desembestada
em noite fria.
É a própria agonia.
Vazio.
Meus pés na beira do rio.
Verborragia estancada no profundo silêncio.
É tudo!
Um carrilhão de desejos desgovernados
arrancando-me as estradas.


É o NADA!
Tudo aquilo que me percorre
o vasto campo das solidões.


Por fim, minha mente adormece à deriva.
Algumas lágrimas lavam-me as retinas, 
na manhã que desponta azul.

Malu Silva

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