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As Origens Do Refúgio



O VERBO é a vida da palavra que jamais morre,
deve ser amada e respeitada para não ser deturpada
com as tolas vaidades que matam a magia

II

A madrugada já ia ao longe e o dia pintava-se de mansinho em alguns pontos do céu, o Príncipe Fernando, lá estava sentado em seu belo e luxuriante jardim, tendo aos seus pés a cadelinha inseparável companheira fiel, do outro lado o gato sonolento, e a dormitar no espaldar da cadeira, o papagaio.
O Princípe de braços cruzados, alongava o olhar ao seu redor, dantes aquilo tudo tinha tanta vida, ali já fora um lar de tantos risos, palco d’amor e ternuras, onde a vida brotava do chão em cada flor, em cada árvore, no perfume do ar bailava tantos sons felizes, ali era o seu reino, o seu castelo, ali reinava na plenitude da sua realização.
Mas depois de tantos combates em guerras que pareciam não ter fim, deixava-se estar, naquele torpor mudo de luto entristecido por demais, foram muitas baixas, percas das quais ele nunca mais iria refazer-se como dantes.
Mas compreendia que por respeito a própria vida ele tinha que prosseguir, afinal tinha um reino que necessitava de si, mas por enquanto ainda sentia-se fragilizado, numa fraqueza tão triste, envolta d’uma solidão sufocante que as vezes tinha a impressão que na particularidade daquela guerra ele iria tombar.
Uma lágrima rolou por sua face sentida e deitou-se em meio do garboso bigode, sentia o coração doer demais, a ponto de que era-lhe por demais custoso raciocinar.

-Ó Deuses... Como está difícil, como está difícil! Suportar tamanha dor...Reconheço que sob meus ombros recai o legado das minha origem real, sei que devo honrar a memória dos meus ancestrais, daqueles que deram seu sangue e suas vidas por mim, tombando em combate em minha defesa.
Reconheço que não devo renegar a espada que traz gravada a história do meu nome,as cicatrizes das derrotas e o luminar das vitórias, mas imploro clemência agora, curvo-me diante do que confesso está acima de mim, suportar, que hei de fazer para prosseguir?
Logo eu que lutei contra batalhões inteiros, derrotei gigantes, deitei abaixo dragões, exterminei bruxedos!
E justamente agora... Vejo-me caído por terra, os sonhos partidos e a fé desfalecida, estou exausto, não posso mais...


No alvo lenço bordado com as inicias do seu nome a oiro, ele secou a fronte e as lágrimas e sem perceber o deixou cair.
...
De repente um estranho vento acariciou-lhe o rosto, uma das rosas do jardim soltou pétalas que rolaram perfumadas até os seus pés, e o alvo lenço bailava no ar, surpreso Ele sentiu que algo extraordinário passava-se naquele momento e quietamente deixou-se estar.
D’alguma forma irracional parecia estar ouvindo um riso que ecoava muito longe, e era tão estranho e belo aquele riso, como se ele estivesse ouvindo cachoeiras de milhares de estrelas a rir, buscou com os olhos a direcção daquela luz que ouvia, mas aparentemente tudo estava normal, mas ele sabia que não estava.
Levantou-se devagar sentindo o corpo dolorido das lutas, das quimeras, e caminhou para dentro do seu castelo, não sabia o motivo, mas algo insistia dentro de si, a subir na Torre das palavras secretas e era isso que ia fazer.
Era lá que seus conselheiros e escribas enviavam missivas a toda a corte e reinos vizinhos e era lá que ficavam guardados sua colecção imensurável de muitas escritas.
Curiosamente, O Príncipe Fernando caminhava em direção a majestosa escadaria e aquela brisa o seguia, junto às pétalas da Rosa... E o alvo lenço.
A magia estava no ar e os deuses tinham algo a lhe dizer com urgência, bem capaz que ele descortinasse o mapa d’onde nascia a som daquele riso extraordinário, que milagrosamente curava-lhe devagarzinho a dor no peito e afagava-lhe o coração sentido.
Tocando levemente sua brava espada,Ele subia erecto e confiante  degrau a degrau, até que parou por um momento e deitou o olhar através de uma das janelas, dali viu o oceano... Ouviu o som, o riso e sorrindo, continuou a subir, já sabendo de antemão que talvez aquela fosse a sua última noite onde as lagrimas de tristeza e dor, lhes afligia a alma.
Enquanto isso...
Na Torre das Palavras Secretas, uma pequenina caixa brilhava por baixo de uma das portas da enorme sala, como se dentro dela bailassem pequeninos pirilampos de poesia em espera.



Ronilda David - Alma Feita De Ti
Em In ensaio sob As Origens Do Refúgio
 Baseado no Livro: Origens
Autor:  Hélder Gonçalves
Editora: Corpos Editora
Ano: 2011
Páginas: 171
I.S.B.N.: 978-989-720-052-6
Tipo: impresso
Preço: EUR18.00
Fotografia: Arquivo Pessoal
Programa Online

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